quarta-feira, 30 de junho de 2021
Tantos adjetivos ...
Teologia: pública, reformada, evangelical, brasileira. E a lista de adjetivos poderia continuar, pois as identidades estão cada vez mais híbridas em um mundo de rápidas e impactantes mutações tecnológicas - e suas consequências sociais e pessoais. Tantos adjetivos, porque mais do que nunca é preciso perguntar para que serve a teologia em nosso mundo contemporâneo.
Pública: porque o testemunho teológico é indispensável como uma voz participante no debate público, político, ideológico, ético, ecológico. Relevante porque há inúmeros testemunhos religiosos e teológicos, de todos os tipos, que mostram que o povo brasileiro ainda leva a sério a sua religião ou a sua fé, seja ela qual for.
Reformada: porque é uma teologia cristã elaborada no ambiente histórico e social da tradição reformada do protestantismo mundial. Reformada, não porque ser reformado venha à frente de ser cristão, mas porque há muitos modos legítimos de viver a fé cristã e a fé reformada é um desses modos legítimos. Porque é uma teologia que leva a sério a autocrítica que decorre do reconhecimento de nossa imperfeição (pecaminosidade), de nossa parcialidade (historicidade), de nossa vocação pessoal e pública. Reformada porque se faz para a glória de Deus (soli Deo gloria) e afirma que Deus é glorificado quando a Sua criação é plenificada e a Sua humanidade é evangelizada de modo íntegro, pleno e fiel ao Evangelho da cruz em que foi executado pelo Império o Senhor Jesus.
Evangelical: porque há diferentes modos de ser reformado. Evangelical porque a palavra evangélico não se refere mais aos evangélicos de outrora. Evangelical, palavra usada com cautela, porque a maioria dos evangelicais de hoje em dia é conservadora teologica e politicamente, alinhada com instituições como o Comitê Lausanne e a World Evangelical Alliance. A fé cristã não deveria (ou não pode?) ser conservadora, nem teologica nem politicamente. De fato, não se alinha e não se identifica com nenhuma instituição eclesiástica ou paraeclesiática, com nenhuma ideologia política, com nenhuma cosmovisão, com nenhum sistema teológico específico. E isto é só um outro jeito de enunciar o princípio protestante.
Brasileira: porque há muitas nações e muitas formas culturais em que a fé se encarna.Há, também, diferentes brasilidades. Diferentes modos de ser brasileiro ou brasileira. Ser brasileira, porém, é importante para a teologia, pois toda a teologia é teologia encarnada em um chão específico. Brasileira, também latino-americana, também cosmopolita. Brasilidade não bairrista, não alienada, não impositiva.
Tantos adjetivos, porque nenhum deles esgota as possibilidades de nomear o substantivo teologia. Teologia: prática intelectual, conceitual, reflexiva da fé. Prática da espiritualidade. Prática da missão. Dizem que teologia é teórica (usando a palavra em sentido pejorativo). Dizem, até quem vive de teologia, que fazer teologia é algo muito acadêmico, muito teórico, muito perigoso para a fé. Teologia: porque a fidelidade a Deus e ao seu evangelho convoca a pessoa toda, de modo que o pensamento não pode se dar ao luxo de dizer não à convocação divina.
Fazer teologia é assumir riscos. O risco principal é o de discernir a si mesmo. Teologia é sempre autocrítica. É função do discernimento espiritual.
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